Dificuldade
Cirurgias eletivas ainda terão que aguardar
"Tô apavorada" diz mãe de adolescente que precisa de cirurgia para retirada de pedra na vesícula
Divulgação -
Sem leitos nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) Geral em Pelotas e com as cirurgias eletivas suspensas, pacientes que precisam desse tipo de suporte ainda terão que aguardar. O problema é a falta de estrutura na saúde pública, devido à realocação para atender casos de Covid-19.
Lucas Martino, 12 anos, há 20 dias começou a sentir fortes dores na região abdominal e recebeu o diagnóstico de pedra na vesícula. Há duas semanas, uma crise de dor provocada pela inflamação, fez com que ele tivesse que ser levado às pressas ao Pronto Socorro de Pelotas (PSP). Luiza Martino, 48 anos, mãe de Lucas, conta que o filho ficou três dias no corredor do PSP recebendo medicação na veia, para aliviar a dor. Por não ter o que fazer, o estudante acabou sendo liberado para seguir o tratamento em casa e evitar exposição ao risco de contaminação pela Covid-19.
Como está sob efeito da medicação, a dor está controlada, porém só há medicamento até a próxima segunda-feira, o que tem deixado Luiza ainda mais angustiada. Ela diz que o filho precisa ser operado o quanto antes para seguir a vida normalmente, porém não há leitos de UTI Geral. "Estou com uma bomba relógio dentro de casa, que a qualquer momento podem voltar as dores, e não tem o que fazer", desabafou Luiza.
A mãe conta que pela idade, Lucas precisa de um leito adulto. Ela diz ainda que já gastou mais de R$ 280,00 com medicamentos e ultrassom, e que se tivesse condições, pagaria a cirurgia particular, só para não ver o filho sofrer. "Tô apavorada" desabafou Luiza. Ainda que financeiramente fosse viável, o caso de Lucas não se resolveria por conta do decreto que restringiu os procedimentos eletivos para assegurar mais vagas para casos de Covid.
Situação dos leitos
Atualmente, Pelotas possui 27 leitos de UTI Geral para atender os pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O número já foi maior, porém devido a necessidade desses espaços para pacientes positivados ou com suspeita de coronavírus foi necessária uma readequação para receber esses casos. Nesta quarta-feira (10), todos os leitos estavam ocupados, ou seja, quem precisasse desse tipo de serviço, não teria como ser atendido.
Em nota, a assessoria de comunicação da prefeitura informou que quando um paciente precisa de leito de UTI e não há vagas no município, esse paciente é cadastrado na regulação estadual, que faz a transferência para onde tiver leito disponível. "O paciente que precisa operar a vesícula e que não é uma situação de urgência e emergência, precisa aguardar, pois ele é um paciente eletivo, como costumamos dizer", esclarece a secretária de Saúde Roberta Paganini. A necessidade de um leito em UTI se justifica por ser uma cirurgia, que embora eletiva, é invasiva o que sugere maior possibilidade de riscos.
O documento esclarece ainda que se for uma situação de urgência e emergência, então o paciente será operado. A secretária lembra que em função da bandeira preta instituída em todo o Estado para conter a disseminação do coronavírus, as cirurgias eletivas estão suspensas.
Conscientização
Roberta pede que a população tenha mais conscientização sobre o momento em que estamos passando, já que além de dificuldades para atender os pacientes com o coronavírus, o atendimento de outras doenças também está prejudicado. Ela ainda destaca que a falta de leitos em UTI sempre foi uma limitação na estrutura de saúde pública, mesmo antes da pandemia. "É muito importante que a comunidade reforce os cuidados, quanto menos a gente ocupar a estrutura de serviços de saúde com outras demandas, melhores condições vamos ter para lidar com os pacientes Covid, que são pacientes com manejo e tratamento mais delicados. Sempre lembrando que não é só uma questão de disponibilidade do leitos, mas também de ter equipe para atender esses pacientes. Então, certamente, quanto mais a gente poupa os serviços de saúde de modo geral, mais condições vamos ter para tratar os pacientes que necessitam dessa estrutura, tanto aqueles com Covid quanto os outros que precisam do atendimento", destaca Roberta.
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